Tristão Mariano da Costa

Tristão Mariano da CostaTristão Mariano da Costa nasce em Itu no dia 6 de junho de 1846 filho do cirurgião-mór Franscisco Mariano da Costa e de Maria Teresa do Monte Carmelo, ambos de famílias tradicionais da cidade.

A cidade de Itu, uma das primeiras povoações da Capitania de São Paulo, tem seu primeiro registro de atividade musical datado de 1684. Os mestres-de-capela sucedem-se em ciclos familiares desde Antônio Machado do Passo, falecido em 1706, até Tristão Mariano da Costa Júnior, que viveu até 1935, passando por Elias Álvares Lobo, por José Mariano da Costa Lobo e pelo compositor objeto desta gravação, Tristão Mariano da Costa.

Ele inicia sua formação musical já na infância e pertence a uma família de músicos: seu cunhado, o compositor e maestro Elias Álvares Lobo, é seu orientador e incentivador musical; sua irmã Francisca Mariana da Costa é professora de piano e organista; sua esposa, Maria Augusta da Silva Prado é contralto solista e seu filho, Tristão Mariano da Costa Júnior é seu sucessor nas atividades musicais.

Sua vida é marcada por grande prestígio social: é dono e diretor de colégio, professor de curso primário e secundário, professor de música concursado, mestre-de-capela da igreja Matriz de Itu, regente, diretor de orquestra, arranjador e compositor. Além disso, desenvolve carreira política como vereador nas legislaturas de 1875-1879, de 1883-1887 e de 1892-1894. Escreve regularmente na imprensa local sobre história, moral e religião, tendo participado da fundação do jornal ituano A Federeção, em 1905.

A partir de 1872, quando o Padre Miguel Correia Pacheco destina suas ações da Companhia Ituana de Estradas de Ferro ao incentivo da prática musical da Igreja Matriz de Itu, Tristão Mariano da Costa passa a ser seu mestre-de-capela e, durante os próximos vinte anos, será responsável pela formação de seus músicos e pelas obras a serem executadas durante os ofícios religiosos.

Sua criação musical sofre a influência de seus estudos dos músicos ituanos do século XVIII e do início do XIX, notadamente de Jesuíno do Monte Carmelo; e, sobretudo, das aulas com Elias Álvares Lobo. Sua obra deixa entrever uma forte influência da música italiana, principalmente de Rossini, com linhas melódicas bem desenhadas, repletas de coloraturas e de forte caráter emocional, características essas entrelaçadas com qualidades melódicas e rítmicas da música brasileira, especialmente da modinha.

Contudo, desenvolve um estilo próprio, caracterizado pelo uso constante de acordes de primeira e de segunda inversão, de escalar cromáticas, de grande liberdade em relação a dissonâncias em retardos, de antecipações e notas de passagem longas e de acordes diminutos para indicar os momentos de tensão do texto. A dinâmica oscilante e as mudanças súbitas de andamento definem os efeitos dramáticos. O acompanhamento aproxima-se da música marcial de sua época.

De sua obra, chegaram até nossos dias oito missas, um Te Deum e as peças Matinas do Espírito Santo, Libera-me, Adoremus, Ecce Panis Angelorum, Asperge-me, Exaudi Domine, Jaculatória a São Benedito e trechos para os ofícios da Semana Santa.

Em plena atividade, na época dos preparativos para as cerimônias da Semana Santa, morre repentinamente, em Itu, na madrugada do dia 6 de abril de 1908.

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