Missa nº 5, ao Glorioso São Benedito (1881)

Tristão Mariano da Costa compôs oito missas, sempre dedicados ao santo do dia: a Nossa Senhora das Dores (1872), a Imaculada Conceição, a Virgem Maria (1876), ao Glorioso São Benedito (1881), ao Glorioso Patriarca São José (1891), a Santo Antônio (1899) e ao Divino Espírito Santo (1901).

A Missa nº 5, dedicada ao Glorioso São Benedito, escrita entre 10 de outubro e 17 de dezembro de 1881, nos apresenta um compositor maduro. De caráter predominantemente melódico, torna-se uma obra de tonalidade dúbia pelo uso de subdominantes relativas, dominantes individuais e acordes estranhos ao campo tonal predominante.

O Kyrie é iniciado em escala descendente apoiada por acordes dentro do campo de lá menor. O solo de soprano é pensado em quatro incisos. O jogo de pergunta e resposta é obtido pelas mudanças nas funções harmônicas.

A influência da música italiana fica nítida no Qui tollis, para o qual Tristão escreve o termo cavatina para soprano solo e coro. Inicia-se com um recitativo. A introdução é de grande efeito dramático. As indicações de constantes mudanças de andamento, pausas, intervenções instrumentais em forma de diálogo com solo, além de fermatas expressivas, são elementos característicos do recitativo de árias e óperas. O clima religioso é obtido com grande êxito. Há uma absorção das características da música de cena, porém sem o seu espírito profano. Tristão Mariano da Costa assimila os climas sugeridos pela música de cena e os transporta para a música sacra. Isso fica nítido, também, na seqüência de acordes maiores e menores, criando uma tensão de efeito dramático.