Credo da Missa de Santo Antônio (1899)

O texto do credo foi introduzido na missa romana no dia 14 de fevereiro de 1014 e tem sido um grande desafio para os compositores devido à sua estrutura de frases desiguais que não permite um ritmo ou uma melodia simples em forma recitativa.

O Credo da Missa de Santo Antônio foi escrito em 1899 para a festa da Igreja Matriz de Piracicaba, onde o compositor residia na ocasião. Inicia-se com todas as vozes em escala descendente, aspecto que deseja retratar a crença em um Deus bondoso, o que fica evidente pela dinâmica utilizada para o texto pai onipotente (mas não opressor). A condução harmônica também suaviza essa idéia do poder de Deus pelo uso de acordes relativos e em primeira inversão.

Para o texto Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, o compositor escreve a música de forma contrapontística, para indicar a onipresença da Santíssima Trindade. É a expressão da visão filosófica de um homem de fé devotada, que cultuava fervorosamente a religião católica, além de ser maçom. O trecho é interessante do ponto de vista musical  pelo fato de o contraponto ter sido muito pouco usado após as idéias sobre a nova música sacra difundidas por Rafael Coelho Machado.

Os elementos característicos da música rossiniana estão presentes no dueto dos solos pra soprano e contralto do Genitum non factum, no encadeamento harmônico do Crucifixus, na linha melódica no Et ressurrexit, do solo do Confiteor e, particularmente, no acompanhamento e no texto entrecortado por pausas do Et vitam venturi.