Misa Criolla (Ariel Ramirez)

Contribuição:
Jath Ribas

A Misa Criolla é uma obra prima da arte religiosa argentina. O cantor José Carreras gravou esta missa por duas vezes. O primeiro registro foi realizado em 1984, no Mosteiro de Nossa Senhora Aparecida localizado nas montanhas de Santander, Espanha. Fã incondicional da obra de Ariel Ramírez, Carreras acabaria por interpretar mais uma vez este clássico da música sul americana, registrado em som e imagem na Missión Dolores, em São Francisco nos Estados Unidos. A missa foi escrita para ser interpretada por solistas, coro e orquestra, e tem sua música baseada em motivos puramente folclóricos. Orientado pelo padre Osvaldo Catena, Ariel Ramirez criou os elementos rítmicos do âmbito musical do folclore para acompanhar a seqüência litúrgica da missa: Kyrie, Glória, Credo, Sanctus e o Agnus Dei. A Misa Criolla é considerada um clássico dentro da música universal.

Um dos instrumentos utilizados nesta obra é o charango, desenvolvido no século XVII no altiplano do Peru e da Bolívia. Os nativos da região se basearam na guitarra e no alaúde, trazidos da Europa pelos espanhóis e criaram um híbrido desses dois instrumentos. Assim nasceu o Charango, com cinco pares de cordas, bojo arredondado – feito com a carapaça de um tatu – e a estrutura em formato de oito, clássica da guitarra. A gravação da Misa Criolla, com Ariel Ramirez conduzindo o conjunto de solistas Los Fronterizos, o Coro da Basílica do Socorro e Orquestra, conta com a participação de um dos maiores intérpretes de charango da América Latina, o argentino Jaime Torres. Sua introdução do Gloria é magistral, marcado pela execução de um Carnavalito.

Ariel Ramirez nasceu em Santa Fé no dia quatro de setembro de 1921. Radicou-se na cidade de Córdoba aonde conheceu Atahualpa Yupanqui. Este o convenceu a viajar para o noroeste do país, região aonde ele poderia mergulhar na história do folclore argentino. Em 1941, Ariel visitou Tucuman, Salta, Jujuy e viveu por algum tempo na cidade de Humahuaca aonde recebeu orientação do Dr. Justiniano Torres Aparício, músico e estudioso da cultura nacional. Depois de se aprimorar ao piano no “Conservatório Nacional”, Ariel Ramirez se transformou em compositor e intérprete de um variado repertório, baseado na música folclórica sul americana. Em 1946, ele divulgou suas primeiras composições: La tristecita (zamba), Purmamarca (bailecito) e Malambo. A partir da década de cinqüenta, Ariel Ramirez viajou pela Argentina apresentando sua obra em centenas de audições. Nesse período ele gravou 21 discos pelo selo da RCA Victor, e foi estudar por um ano no Peru. Segue-se uma triunfal excursão ao velho continente, com recitais nas principais capitais do leste Europeu. Durante alguns meses, Ramirez permaneceu em um convento na cidade de Würzburg, ocasião na qual, segundo o autor, lhe veio a inspiração para criar a Misa Criolla. Esta é concluída em 1964 e sua primeira audição pública ocorre na cidade de Mercedes, no dia 20 de dezembro de 1965. A partir dessa data, o autor atravessa uma fase de grande produtividade. Ele escreve Navidad Nuestra, Los Caudillos, Mujeres Argentinas, Cantata Sudamericana e Misa por la Paz y la Justicia (1981). Ariel Ramirez retornou várias vezes à Europa, interpretando seu imenso repertório e conduzindo concertos oficiais com a apresentação da Misa Criolla, na Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça, França, Espanha e Itália.

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