As Três Horas de Agonia ou As Sete Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo no Calvário (1867)

Elias Álvares Lobo (1834 – 1901)
Transcrição enviada por Karin Bakke

Intróito

Já pregado em duro lenho por um povo tão cruel,
sua grande alma, o Homem Deus
vai no Gólgota a expirar.
Vós que a ele sois fiéis,
não percais nenhum instante de Jesus a voz amante.
Sus! chegai para escutar.


A Primeira Palavra
Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem! (Lucas 23, 34)

De muita culpa réu sou indigno de perdão.
Eu sei, Senhor, que o Céu me devias negar,
Mas ouve aquele rogo que por mim se ergue.
Então, deixa, Senhor, se podes,
Deixa de me perdoar.


A Segunda Palavra
Em verdade vos digo que hoje serás comigo no Paraíso. (Lucas 23, 43)

Quando a morte com hórrida foice a cortar minha vida já venha.
Ah! Senhor, não te esqueças de mim.
Tu me ajudas no fero perigo
Dá-me forças, que a palma obtenha
E contigo triunfe por fim.
Ah! Senhor, não te esqueças de mim.


A Terceira Palavra
Mulher, eis aí teu filho. Eis aí tua mãe. (João 19, 27)

Olha prá mim, Maria, pois tu amorosa,
Ó mãe piedosa, a mim qual filha tens de aceitar.
Um favor tanto rogo, me rendas e de amor santo minh’alma acendas.
Nenhum instante seja inconstante minh’alma fria,
que a ti, ó Maria, deixe de amar.


A Quarta Palavra
Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Marcos 15, 34)

Pois até o Criador m’abandonou também?
e a extremo o tal amor impeliu-te, ó Bom Jesus,
e eu, com os meus pecados, tão grande e bom Senhor,
pudera abandonar?
antes mil vezes, ó Deus, morrer,
mas nunca mais pecar.


A Quinta Palavra
Tenho sede. (João 19, 28)

Qual branco lírio, enquanto o céu inimigo nega-lhe o fresco humor,
A haste lânguida dobrar de véu,
Cedendo o ímpeto d’estivo ardor.
Tal entr’ espasmos de mort’, exangue de sede, queixa-se o Redentor.
Quem é o bárbaro que enquanto langue
O refrigério de poucas lágrimas nega ao Senhor?


A Sexta Palavra
Tudo está consumado. (João 19, 30)

A grande obra está cumprida
e Jesus com braço forte nos abismos a crua morte vencedor precipitou.
Quem já volta ao antigo estado
Quer da morte a tirania o grão bem não aprecia
Que Jesus não conquistou.


A Sétima Palavra
Pai, em tuas mãos encomendo o meu espírito. (Lucas 23, 46)

Jesu autem emisa voce magna expiravit.
Jesus morreu.
Encobre-se de negro manto,
As duras pedras quebram-se,
Se rasga o sacro véu.
E todo mundo, atônito,
Condói-se de seu Senhor.
Jesus morreu
E estólido, no meio de tanto dó,
Mais que um rochedo estúpido,
Ficará o homem só, pérfido,
Causa de tanta dor.
Jesus morreu.

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